quinta-feira, 27 de março de 2014

O preço que pagamos pela falta de investimentos em educação.



Ao analisarmos os investimentos feitos em educação ao longo dos últimos anos, percebemos o quão distante estamos do dia em que sonhamos com percentual zero de violência. Imaginem uma sociedade sem crimes, em que todos pudessem se falar, se conhecer, que não houvesse diferenças, que todos tivessem acesso à educação,  que todas as profissões fossem valorizadas, e que todos tivessem  um salário digno, que pudessem viver sua vida tranquilamente, sem a necessidade de ter que trabalhar em mais de um emprego, ou fazer biscate para poder complementar sua renda. Infelizmente este sonho não se concretiza, exatamente porque os governos priorizam investimentos em áreas que na verdade não solucionam o problema, apenas o mascaram.
 
Para que se tenha uma ideia do tamanho do problema, a falta de investimento em educação gera um aumento dos índices de violência, que por sua vez, gera uma demanda por aumento na contratação de seguranças, aumento do efetivo de policiais, construção de novos presídios, compras de armamentos, e por aí vai, alimentando assim a indústria que vive da violência, que só tem a ganhar, ou seja, quanto maior o índice de violência, melhor o mercado comercial de armamentos e serviços deste setor.
Podemos até imaginar que o aumento do investimento em segurança melhore a situação da segurança públIca, mas percebemos que nos afastamos de uma possível solução para o problema, quando aumentamos investimentos em segurança e reduzimos em educação, o que só agrava a violência a cada ano que passa.
Está na hora de cada brasileiro acordar e chamar para si a responsabilidade, exigindo mudanças consistentes, dizendo não a programas assistencialistas que apenas acomodam as pessoas.
Os programas sociais precisam ser destinados a levar educação com um ensino de qualidade a todos os cantos desse nosso Brasil, e não “um faz de conta”, como hoje é feito em algumas escolas públicas, em que professores aprovam alunos desqualificados para se livrarem do problema, uma falácia, que fará com que milhões de jovens nessa situação desistam lá na frente e uma parte desses, infelizmente será recrutada pela escola da violência.
A falta de uma boa base educacional desmotiva esses jovens que são vítimas da própria ineficácia do sistema educacional brasileiro.
Claro que existem exceções a esse emaranhado de dificuldades, e conseguimos felizmente, ver germinar ideias que são postas em ação e assim, professores de um pedaço de nosso Brasil, como a história da Escola Augustinho Brandão, do município de Cocal dos Alves, no estado do Piauí, e de cinco escolas públicas de Palmas, capital do Tocantins, apresentada pelo programa Fantástico, da TV Globo, conseguem reverter uma situação que para muitos parecia impossível.
Observamos que a escola Augustinho Brandão, se destacou por permitir que seus alunos, filhos de agricultores pudessem realizar o sonho de capacitarem-se para ingressar nas melhores universidades do país.  Confesso que me emocionei com tal acontecimento.
Esses professores conseguiram fazer a diferença e mostrar para muitos, que quando se tem iniciativa, vontade, determinação, esperança e ação, as coisas acontecem, e transformam a vida daqueles que não teriam sequer uma gota de esperança, e que de uma hora para outra, passam a ter uma um oceano de oportunidades através do conhecimento.
Ficamos felizes com notícias como essas, mas ao mesmo tempo tristes, porque essa situação deveria ser o normal em todas as escolas de nosso Brasil.
Concordo com o que prega o Senador Cristovam Buarque sobre a federalização da educação no Brasil, Segundo o Senador: “se esses custos ficassem a cargo da União, com a federalização do ensino, todas as escolas teriam condições de ministrar ensino de qualidade.”.
Mas eu faço uma ressalva, não se implanta um ensino de qualidade só com recursos, é preciso valorizar o profissional de educação, dando-lhes instrumentos para que se permita ter um comprometimento motivacional por uma boa qualidade do ensino, permitindo ao corpo docente e discente colher resultados que irão transformar a sociedade brasileira em um povo mais capacitado e menos dependente.
O Brasil é um gigante com vasta potencialidade, mas infelizmente, tem um grupo que se destina a lutar e defender interesses de grandes grupos econômicos para pagarem menos impostos, enquanto a maioria do povo brasileiro, representada por pequenos empresários e os trabalhadores em geral, arcam com a altíssima carga tributária. Mesmo pagando altos impostos no Brasil, o povo sofre pela ineficácia dos serviços públicos postos a sua disposição.
O Brasil tem jeito, basta que o povo acorde e comece a fazer a diferença, exigindo os seus direitos e fiscalizando as ações dos gestores públicos.
Precisamos entender que a corrupção enriquece uma minoria, furtando os recursos que deveriam ser destinados à saúde, educação, segurança e a melhoria dos salários de milhões de trabalhadores brasileiros. É por isso que muitas famílias estão mergulhadas num atoleiro de dívidas, e mal conseguem se alimentar com o que recebem, pois os índices inflacionários superam em muito os índices oficiais.
O trabalhador brasileiro que tem o seu salário ao longo de sua vida corrigido sempre abaixo da inflação, não lhe resta alternativa, a não ser: comer menos, para poder fazer com que o seu suado salário consiga pagar as suas contas ao final do mês.
A corda está esticando, em um determinado momento vai romper. Até quando isso vai durar ninguém sabe, mas creio que está na hora de acordarmos o gigante, e quem sabe assim, consigamos diminuir a quantidade de lixo que é jogado nas urnas.

Lecivaldo Lima
Auditor Fiscal PB
Twitter: @lecivaldoclima