O preço que pagamos pela falta de investimentos em educação.
Ao analisarmos os investimentos feitos em
educação ao longo dos últimos anos, percebemos o quão distante estamos do dia
em que sonhamos com percentual zero de violência. Imaginem uma sociedade sem
crimes, em que todos pudessem se falar, se conhecer, que não houvesse
diferenças, que todos tivessem acesso à educação, que todas as profissões
fossem valorizadas, e que todos tivessem um salário digno, que pudessem viver sua
vida tranquilamente, sem a necessidade de ter que trabalhar em mais de um
emprego, ou fazer biscate para poder complementar sua renda.
Infelizmente este sonho não se concretiza, exatamente porque os governos
priorizam investimentos em áreas que na verdade não solucionam o problema,
apenas o mascaram.
Para que se tenha uma ideia do tamanho do
problema, a falta de investimento em educação gera um aumento dos índices de
violência, que por sua vez, gera uma demanda por aumento na contratação de
seguranças, aumento do efetivo de policiais, construção de novos presídios,
compras de armamentos, e por aí vai, alimentando assim a indústria que vive da violência,
que só tem a ganhar, ou seja, quanto maior o índice de violência, melhor o
mercado comercial de armamentos e serviços deste setor.
Podemos até imaginar que o aumento do
investimento em segurança melhore a situação da segurança públIca, mas percebemos
que nos afastamos de uma possível solução para o problema, quando aumentamos
investimentos em segurança e reduzimos em educação, o que só agrava a violência
a cada ano que passa.
Está na hora de cada brasileiro acordar e
chamar para si a responsabilidade, exigindo mudanças consistentes, dizendo não
a programas assistencialistas que apenas acomodam as pessoas.
Os programas sociais precisam ser destinados a
levar educação com um ensino de qualidade a todos os cantos desse nosso Brasil,
e não “um faz de conta”, como hoje é feito em algumas escolas públicas, em que
professores aprovam alunos desqualificados para se livrarem do problema, uma
falácia, que fará com que milhões de jovens nessa situação desistam lá na
frente e uma parte desses, infelizmente será recrutada pela escola da
violência.
A falta de uma boa base educacional desmotiva
esses jovens que são vítimas da própria ineficácia do sistema educacional
brasileiro.
Claro que existem exceções a esse emaranhado
de dificuldades, e conseguimos felizmente, ver germinar ideias que são postas
em ação e assim, professores de um pedaço de nosso Brasil, como a história da Escola Augustinho Brandão, do município de Cocal dos Alves, no estado
do Piauí, e de cinco escolas públicas de Palmas, capital do Tocantins,
apresentada pelo programa Fantástico, da TV Globo, conseguem reverter uma
situação que para muitos parecia impossível.
Observamos que a escola Augustinho Brandão, se destacou por permitir que
seus alunos, filhos de agricultores pudessem realizar o sonho de capacitarem-se
para ingressar nas melhores universidades do país. Confesso que me emocionei com tal
acontecimento.
Esses professores conseguiram
fazer a diferença e mostrar para muitos, que quando se tem iniciativa, vontade,
determinação, esperança e ação, as coisas acontecem, e transformam a vida
daqueles que não teriam sequer uma gota de esperança, e que de uma hora para
outra, passam a ter uma um oceano de oportunidades através do conhecimento.
Ficamos felizes com notícias como essas, mas ao mesmo tempo tristes, porque
essa situação deveria ser o normal em todas as escolas de nosso Brasil.
Concordo com o que prega o Senador Cristovam Buarque sobre a
federalização da educação no Brasil, Segundo o Senador: “se esses custos
ficassem a cargo da União, com a federalização do ensino, todas as escolas
teriam condições de ministrar ensino de qualidade.”.
Mas eu faço uma ressalva, não se implanta um ensino de qualidade só com
recursos, é preciso valorizar o profissional de educação, dando-lhes
instrumentos para que se permita ter um comprometimento motivacional por uma
boa qualidade do ensino, permitindo ao corpo docente e discente colher
resultados que irão transformar a sociedade brasileira em um povo mais
capacitado e menos dependente.
O Brasil é um gigante com vasta
potencialidade, mas infelizmente, tem um grupo que se destina a lutar e
defender interesses de grandes grupos econômicos para pagarem menos impostos,
enquanto a maioria do povo brasileiro, representada por pequenos empresários e
os trabalhadores em geral, arcam com a altíssima carga tributária. Mesmo
pagando altos impostos no Brasil, o povo sofre pela ineficácia dos serviços
públicos postos a sua disposição.
O Brasil tem jeito, basta que o povo acorde e comece a fazer a
diferença, exigindo os seus direitos e fiscalizando as ações dos gestores
públicos.
Precisamos entender que a corrupção enriquece uma minoria, furtando os
recursos que deveriam ser destinados à saúde, educação, segurança e a melhoria
dos salários de milhões de trabalhadores brasileiros. É por isso que muitas
famílias estão mergulhadas num atoleiro de dívidas, e mal conseguem se alimentar
com o que recebem, pois os índices inflacionários superam em muito os índices
oficiais.
O trabalhador brasileiro que tem o seu salário ao longo de sua vida
corrigido sempre abaixo da inflação, não lhe resta alternativa, a não ser:
comer menos, para poder fazer com que o seu suado salário consiga pagar as suas
contas ao final do mês.
A corda está esticando, em um determinado momento vai romper. Até quando
isso vai durar ninguém sabe, mas creio que está na hora de acordarmos o
gigante, e quem sabe assim, consigamos diminuir a quantidade de lixo que é
jogado nas urnas.
Lecivaldo Lima
Auditor Fiscal PB
Twitter: @lecivaldoclima