quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Reforma da Previdência

Hoje, 29/11/2017, ao assistir o “Bom dia Brasil”, observei a Jornalista Miriam Leitão falar que os servidores públicos têm privilégios. Pensei nessa declaração da Jornalista, e imaginei o seguinte: - Ou a Jornalista está sendo patrocinada por instituições financeiras ansiosas em ganhar a fatia do mercado da previdência privada, ou a Jornalista é desinformada mesmo. Creio que a primeira opção seja mais coerente, afinal a Jornalista está na mídia, e isso é bom para Instituições financeiras que pretendem investir em marketing jornalístico, inserindo informações distorcidas através de profissionais da imprensa à população, em defesa de seus interesses em um mercado trilionário em negócios da previdência privada no Brasil.
Se colocarmos na ponta do lápis, qual a perda atual da renda e da poupança do trabalhador brasileiro, à custa dos diversos planos econômicos que renomearam a moeda e cortaram vários zeros, com as hiperinflações ocorridas, perceberá que disso tudo, só quem ganhou foram as instituições financeiras, o trabalhador sempre perdeu. Mas a mídia financiada pelos grandes Bancos, de olho no mercado da previdência privada, mais uma vez, diz que o trabalhador, servidor público é o vilão da crise, e eles os bonzinhos, construindo esse argumento para facilitar a vida dos Deputados e Senadores que irão votar a proposta de reforma da previdência.
Passar à população que servidor público concursado tem privilégios, quando os mesmos nunca tiveram reajustes acima da inflação, não possuem FGTS, não recebem horas extras, mesmo quando trabalham após o horário estabelecido, e muito pelo contrário, a grande maioria está com perdas salariais pela falta de correção com os índices inflacionários que comprometem sua renda, obrigando-os a terem que fazer bicos fora do horário de trabalho para complementar sua renda para atender suas necessidades básicas.
Resumo tudo isso, como sendo um ato de covardia contra o povo brasileiro, pois vender uma informação falsa de que a previdência está deficitária, e que precisa ser reformada para garantir a aposentadoria dos brasileiros, enquanto mais da metade do orçamento da união é destinada a pagar os juros da dívida pública aos grandes bancos, que não se contentam só com isso; querem ainda mais dinheiro do povo brasileiro, através do aumento das vendas com os planos de previdência privada, mesmo que para isso, muitos brasileiros assalariados fiquem sem receber suas aposentadorias no futuro. O Brasil não é um país de pleno emprego, aumentar a idade e o tempo de serviço de contribuição, é o mesmo que negar aposentadoria para uma parcela significativa da população, que infelizmente não terá como estar sempre contribuindo para o INSS em razão da falta de trabalho,  e do desemprego que afeta milhões de brasileiros.
Não se iludam com informações falsas produzidas por agências de propaganda e marketing pagas com o dinheiro público pelo governo federal, para destruírem o que foi garantido pela constituição federal, em troca de fazer valer os interesses dos Banqueiros que detém a maior parcela da riqueza produzida pelo nosso país.
Os Deputados e Senadores que votarem a favor da reforma da previdência que acaba com os direitos dos brasileiros que trabalham neste país, provavelmente não voltarão a representar o povo brasileiro nas próximas eleições.
Rogo a Deus para que os brasileiros se mexam, e não deixem que esse punhado de pessoas tão desmoralizadas na vida pública afetem a vida de milhões de famílias de trabalhadores.

Lecivaldo Lima -  Auditor Fiscal

Diretor Adj Sindifisco-PB

quinta-feira, 1 de maio de 2014

1º de maio - Dia do trabalhador ?

   Após 30 anos, percebe-se o quanto explorado ainda é o trabalhador brasileiro. Dos 100%  do seu salário que  poderia receber pela sua força de trabalho, fica com apenas 23%. Os 77% restantes são destinados  aos governos  federal, estadual e municipal, através de impostos para financiar os gastos públicos. Resumindo a história, com um arrocho tributário dessa dimensão, fica difícil para qualquer trabalhador  juntar o seu suado dinheiro para realizar o seu sonho. Esses números  nos fazem questionar, se isso não é um regime de escravidão financeira? Precisamos tributar mais, os que podem pagar mais. Está mais do que na hora,  do Congresso Nacional fazer o dever de casa, e Regulamentar o Imposto sobre Grandes Fortunas previsto na CF de 1988, chega de proteger os que não precisam de proteção.

   Trabalhador brasileiro não quer, e nem precisa de auxílio esmola, ele precisa ser remunerado de forma digna pela força de seu trabalho,  pagando um imposto justo, e não da forma como hoje é feita no Brasil. Além dessa injustiça tributária imposta aos mesmos, ainda  são penalizados com  índices de reajustes  inflacionários fantasiosos, que  estão sempre abaixo da inflação verdadeira, o que contribui para empobrecer ainda mais  a classe trabalhadora. 

  Por que os governos não cobram apenas 23% da cadeia de impostos aos trabalhadores brasileiros assalariados, permitindo que esses possam ficar com os 77% de seu salário?  Se os governos assim o fizessem, o trabalhador brasileiro não precisaria recorrer a empréstimos junto às instituições financeiras. Poderia poupar mais, e assim quando chegasse na época de se aposentar teria uma poupança que o ajudaria a viver melhor nos seus últimos anos de vida.

   O Brasil  e muitos de seus Estados precisam ter a sua receita de impostos, mas para isso, não precisa explorar o tão suado salário do trabalhador brasileiro, como vem ocorrendo nesses últimos 50 anos. Ouvimos falar de várias reformas, simples, supersimples, mas o simples parece  mesmo muito complicado. O trabalhador  contínua vítima de uma injustiça tributária que promove a riqueza de alguns, à custa do sacrifício da grande massa trabalhadora que absorve o maior ônus da carga tributária, e ainda  assim, carrega esse país nas costas.

   Apesar de tudo, desejo a todos os trabalhadores um feliz dia do Trabalho, e que estejam mobilizados, pois às vezes, mudanças são necessárias para que possamos ter dias melhores.

                                                                                                            Lecivaldo  Lima

quinta-feira, 27 de março de 2014

O preço que pagamos pela falta de investimentos em educação.



Ao analisarmos os investimentos feitos em educação ao longo dos últimos anos, percebemos o quão distante estamos do dia em que sonhamos com percentual zero de violência. Imaginem uma sociedade sem crimes, em que todos pudessem se falar, se conhecer, que não houvesse diferenças, que todos tivessem acesso à educação,  que todas as profissões fossem valorizadas, e que todos tivessem  um salário digno, que pudessem viver sua vida tranquilamente, sem a necessidade de ter que trabalhar em mais de um emprego, ou fazer biscate para poder complementar sua renda. Infelizmente este sonho não se concretiza, exatamente porque os governos priorizam investimentos em áreas que na verdade não solucionam o problema, apenas o mascaram.
 
Para que se tenha uma ideia do tamanho do problema, a falta de investimento em educação gera um aumento dos índices de violência, que por sua vez, gera uma demanda por aumento na contratação de seguranças, aumento do efetivo de policiais, construção de novos presídios, compras de armamentos, e por aí vai, alimentando assim a indústria que vive da violência, que só tem a ganhar, ou seja, quanto maior o índice de violência, melhor o mercado comercial de armamentos e serviços deste setor.
Podemos até imaginar que o aumento do investimento em segurança melhore a situação da segurança públIca, mas percebemos que nos afastamos de uma possível solução para o problema, quando aumentamos investimentos em segurança e reduzimos em educação, o que só agrava a violência a cada ano que passa.
Está na hora de cada brasileiro acordar e chamar para si a responsabilidade, exigindo mudanças consistentes, dizendo não a programas assistencialistas que apenas acomodam as pessoas.
Os programas sociais precisam ser destinados a levar educação com um ensino de qualidade a todos os cantos desse nosso Brasil, e não “um faz de conta”, como hoje é feito em algumas escolas públicas, em que professores aprovam alunos desqualificados para se livrarem do problema, uma falácia, que fará com que milhões de jovens nessa situação desistam lá na frente e uma parte desses, infelizmente será recrutada pela escola da violência.
A falta de uma boa base educacional desmotiva esses jovens que são vítimas da própria ineficácia do sistema educacional brasileiro.
Claro que existem exceções a esse emaranhado de dificuldades, e conseguimos felizmente, ver germinar ideias que são postas em ação e assim, professores de um pedaço de nosso Brasil, como a história da Escola Augustinho Brandão, do município de Cocal dos Alves, no estado do Piauí, e de cinco escolas públicas de Palmas, capital do Tocantins, apresentada pelo programa Fantástico, da TV Globo, conseguem reverter uma situação que para muitos parecia impossível.
Observamos que a escola Augustinho Brandão, se destacou por permitir que seus alunos, filhos de agricultores pudessem realizar o sonho de capacitarem-se para ingressar nas melhores universidades do país.  Confesso que me emocionei com tal acontecimento.
Esses professores conseguiram fazer a diferença e mostrar para muitos, que quando se tem iniciativa, vontade, determinação, esperança e ação, as coisas acontecem, e transformam a vida daqueles que não teriam sequer uma gota de esperança, e que de uma hora para outra, passam a ter uma um oceano de oportunidades através do conhecimento.
Ficamos felizes com notícias como essas, mas ao mesmo tempo tristes, porque essa situação deveria ser o normal em todas as escolas de nosso Brasil.
Concordo com o que prega o Senador Cristovam Buarque sobre a federalização da educação no Brasil, Segundo o Senador: “se esses custos ficassem a cargo da União, com a federalização do ensino, todas as escolas teriam condições de ministrar ensino de qualidade.”.
Mas eu faço uma ressalva, não se implanta um ensino de qualidade só com recursos, é preciso valorizar o profissional de educação, dando-lhes instrumentos para que se permita ter um comprometimento motivacional por uma boa qualidade do ensino, permitindo ao corpo docente e discente colher resultados que irão transformar a sociedade brasileira em um povo mais capacitado e menos dependente.
O Brasil é um gigante com vasta potencialidade, mas infelizmente, tem um grupo que se destina a lutar e defender interesses de grandes grupos econômicos para pagarem menos impostos, enquanto a maioria do povo brasileiro, representada por pequenos empresários e os trabalhadores em geral, arcam com a altíssima carga tributária. Mesmo pagando altos impostos no Brasil, o povo sofre pela ineficácia dos serviços públicos postos a sua disposição.
O Brasil tem jeito, basta que o povo acorde e comece a fazer a diferença, exigindo os seus direitos e fiscalizando as ações dos gestores públicos.
Precisamos entender que a corrupção enriquece uma minoria, furtando os recursos que deveriam ser destinados à saúde, educação, segurança e a melhoria dos salários de milhões de trabalhadores brasileiros. É por isso que muitas famílias estão mergulhadas num atoleiro de dívidas, e mal conseguem se alimentar com o que recebem, pois os índices inflacionários superam em muito os índices oficiais.
O trabalhador brasileiro que tem o seu salário ao longo de sua vida corrigido sempre abaixo da inflação, não lhe resta alternativa, a não ser: comer menos, para poder fazer com que o seu suado salário consiga pagar as suas contas ao final do mês.
A corda está esticando, em um determinado momento vai romper. Até quando isso vai durar ninguém sabe, mas creio que está na hora de acordarmos o gigante, e quem sabe assim, consigamos diminuir a quantidade de lixo que é jogado nas urnas.

Lecivaldo Lima
Auditor Fiscal PB
Twitter: @lecivaldoclima